terça-feira, 27 de maio de 2025

 Cinco perguntas para 'um amigo do general Freire Gomes'

Apareceu na imprensa de referência "um amigo de Freire Gomes" falando, anônimo, que não é que o general tenha sido omisso diante do golpe em curso e do qual conhecia os cabeças, o roteiro e todos os detalhes, quando era comandante do Exército. Segundo "um amigo de Freire Gomes", o general achou melhor - assim, algo proativo - lutar pela Democracia junto ao Alto Comando do Exército, em vez de denunciar a conspiração, por exemplo, ao STF. Por que fez isso? Diz o amigo que foi para não precipitar uma ruptura.

Na época do desenrolar da trama golpista, o atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, já integrava o Alto Comando e, então, segundo a versão do general Freire Gomes, também sabia do golpe em andamento e da suposta "estratégia antirruptura" do seu antecessor. Na última quarta-feira, 14, em uma entrevista ao jornal O Globo, Tomás Paiva disse que Freire Gomes "não tinha opção que não fosse cumprir a lei''. Cabe a pergunta: o general Tomás Paiva foi pego de surpresa dias atrás com as revelações da operação Tempus Veritatis? Se não foi, ofende perguntar a quem está há um ano no comando do Exército que opção foi essa de calar? É também "cumprir a lei"?

Que fiquem estas questões para depois e deixemos agora cinco perguntas para "um amigo de Freire Gomes", sugestões para a próxima vez que alguém da imprensa de referência topar com ele por aí:

  1. Após as eleições, ao longo de 31 dias - entre 8 de novembro e 9 de dezembro de 2022 - e por meio do aplicativo de mensagens do Exército, Mauro Cid atualizou Freire Gomes sobre o andamento das articulações golpistas, desde o ajuste de Bolsonaro na minuta de estado de sítio até o encontro de Bolsonaro com o general Theophilo, que prometeu a Bolsonaro pôr a tropa do Comando de Operações Terrestres - a maior tropa da Força Terrestre - a serviço do golpe. Não parece coisa que se diga a quem, supostamente, fincou pé pela legalidade. Trocando em miúdos: não parece ser informação que se passe ao inimigo, ainda que um inimigo em potencial. O tenente-coronel Cid também atuou contra o golpe? Ou o general Freire Gomes fingiu adesão à conspiração?
  2. Quando Braga Netto chama o general Freire Gomes de "cagão", em mensagem de WhatsApp a Ailton Barros, Braga Netto diz ainda, ainda se referindo a Freire Gomes, que "omissão e indecisão não cabem a um combatente". Por que Braga Netto diz, no dia 14 de dezembro de 2022, já no adiantado da conspiração golpista - mais de cinco meses após a reunião ministerial onde o golpe foi discutido claramente -, que o general Freire Gomes padecia desse mal do combatente que é a indecisão?
  3. Por que o general Freire Gomes assinou, junto com os comandantes da Marinha e da Aeronáutica, a nota de apoio aos acampamentos na frente dos quartéis divulgada pelas Forças Armadas no dia 11 de novembro, nota que ajudou a impulsionar o pico dessas concentrações golpistas, registrado quatro dias depois, no feriado de 15 de novembro? Por que o general Freire Gomes omitiu essa nota do Alto Comando do Exército, ainda que o generalato tivesse se reunido no dia anterior à divulgação? O general Freire Gomes, afinal, atuava junto ao Alto Comando do Exército contra o golpe ou omitia movimentações golpistas do Alto Comando do Exército?
  4. Esse "ou isto ou aquilo", ou seja, o general não teria sido omisso, mas teria, isto sim, articulado contra o golpe; pôr as coisas nestes termos apriorísticos, é o que eu quero dizer, isso acaba tirando da mesa uma terceira hipótese - a pior. O general Freire Gomes participou da conspiração golpista, ou transigiu com ela, ou consentiu calando, em suas primeiras etapas - os ataques às urnas eletrônicas -, e em seu intermédio - o açulamento das manifestações golpistas na frente dos quartéis? Participou, transigiu ou consentiu calando e, na hora agá, na hora da consumação do golpe, reconsiderou, enfurecendo os golpistas renitentes?
  5. Por último: se o general Freire Gomes não denunciou o golpe quando o golpe estava em curso porque não queria precipitar uma ruptura, por que o general Freire Gomes não denunciou os golpistas após o golpe ter sido debelado, inclusive aqueles do Alto Comando que o general precisou convencer sobre as maravilhas da Democracia e o respeito ao resultado eleitoral?

Mas aí nem precisa de algum boneco de